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AUMENTO DA PASSAGEM DE ÔNIBUS EM CAMPINAS

O cotidiano de ônibus lotados, altas tarifas e veículos quebrados no transporte coletivo em Campinas vai piorar ainda mais neste início de ano com mais um aumento da passagem de ônibus: o prefeito Jonas Donizette, reempossado essa semana, anunciou que a tarifa vai ficar 18,4% mais cara a partir de 7 de janeiro, subindo dos atuais R$ 3,80 para os abusivos R$ 4,50.
Transporte público não é visto como um direito da população, mas sim como um serviço a ser entregue às concessionárias e grandes empresas que, para aumentar seus lucros (que já são bem altos), oferecem um serviço de péssima qualidade e rebaixam os salários de seus funcionários ou os demitem, como aconteceu recentemente em nossa cidade com os cobradores. Motoristas tem jornadas extenuantes e péssimas condições de trabalho. As empresas responsáveis pelo transporte em Campinas tiveram a cara de pau de afirmar que o novo valor não garante o equilíbrio econômico-financeiro do sistema e que seria necessária uma tarifa de no mínimo R$4,80. O que elas querem dizer, na verdade, é que querem ainda mais lucro às custas do sacrifício da população.
O preço de R$ 4,50, 70 centavos a mais que a tarifa atual, será cobrado dos passageiros que pagam a passagem em dinheiro e no vale-transporte. Usuários do bilhete único terão desconto de míseros R$ 0,30 sobre a tarifa cheia, ou seja, irão pagar 40 centavos a mais do que o preço atual.  Outra medida que provocará ainda mais sofrimento aos trabalhadores que dependem do transporte coletivo, é a mudança no sistema integração: quem fizer a segunda integração dentro do período de duas horas perderá o desconto de R$ 0,30 no bilhete único e pagará a tarifa de R$ 4,50. Por exemplo, quem sair do Parque Itajaí até o hospital da PUC e de lá fizer a integração para o Centro (com o bilhete único) irá pagar R$ 4,20. Mas se do Centro essa pessoa for para a Unicamp, fazendo a segunda integração, vai perder o desconto de R$ 0,30.
A prefeitura paga já há muitos anos um subsídio às empresas de transporte. O prefeito anunciou que irá reduzir esses subsídios e, por esse motivo, a tarifa irá aumentar num valor maior que a inflação. A desculpa do prefeito é a crise econômica. Para poder continuar usando o orçamento da cidade para pagar dívidas com grandes empresários e banqueiros, ele prefere sucatear ainda mais os serviços públicos. O jornal Correio Popular desse dia 2/janeiro informou que o secretário Carlos Barreiro estima um subsídio de R$ 60 milhões no ano, o que mostra uma incoerência do governo, já que em 2015 o subsidio foi de R$ 45 milhões! Em janeiro de 2016 houve um aumento de 40% no subsídio e em dezembro o prefeito anunciou uma redução, mas que mantém o valor total muito mais alto que o de 2015.

O PROBLEMA DA TARIFA ALTA NÃO É A DIMINUIÇÃO DESSE SUBSÍDIO 
O aumento de subsídios estatais às empresas parece poder num primeiro momento reduzir a passagem, mas ele não vai reverter a precarização do transporte e tampouco melhorar as condições dos trabalhadores. E, no fim, acaba não impedindo o aumento da tarifa, que é o que acontece todos anos, com aumento ou não do repasse da prefeitura às empresas. Não dá para resolver o problema do transporte público sem inverter essa lógica regida pelo lucro. Isso significa estatizar todo o sistema de transporte, revertendo o que hoje vai de lucro às empresas e acionistas para a melhoria e expansão do serviço à população. Estatizar, contudo, sob o controle dos trabalhadores, que é quem conhece de fato os problemas e necessidades da grande maioria da população.
2% do PIB para o transporte público de massa!
Fim da dupla função dos motoristas e retorno dos cobradores!
Investimento público e estatização do transporte sob controle dos trabalhadores, rumo à tarifa zero!
Por um governo socialista dos trabalhadores, sem aliança com nenhum empresário ou banqueiro, apoiado em conselhos populares!

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